Estamos um tempo sem escrever, mas estamos bem!
Nos acostumando com a vida, a saudade aumenta, e isso também é bom, porque sentimos a intensidade das coisas, mudamos de atitude e ficamos mais sensíveis, passamos a observar o mundo de forma romântica e sei que muitas vezes é na dor que falamos e escrevemos os mais bonitos e profundos versos sentimentais (piegas). Como todos sabem a tempo e só agora venho me assumir, sou mesmo muito romântica, sofredora, encantada, chorona, dramática, e não tenho mais vergonha e não procuro mais esconder isso, pra que? Quem quiser que me ature desse jeito! rsrs
Tudo vai ficando mais fácil por aqui. Mas não quero me acostumar tanto, ao ponto de não mais ficar encantada com as coisas boas que vejo e aprendo por aqui.
Enquanto caminhava essa semana com música no fone de ouvido, estive filosofando sobre tudo, pensando na vida e tudo o que ainda virá. Andei lendo em algum lugar Oswaldo Montenegro, Metade (no qual eu gosto tanto de ler e reler, e não me canso) foi minha mãe que me apresentou a mensagem. E hoje se encaixa muito no que sinto!
Enfim, segue.
"Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também."
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